quinta-feira, 14 de março de 2013

Acidentes na Escola Delfim Moreira motivam protesto

Um estudante de 15 anos caiu em um buraco aberto no assoalho do corredor da escola, ficando com a perna presa. Uma professora tropeçou em outra falha existente no piso e torceu o pé. Uma turma inteira ficou sem atividades, na última terça-feira, porque a sala estava alagada. Esses são apenas alguns dos problemas que motivaram a realização de um protesto no Centro de Juiz de Fora na manhã de ontem. O movimento, capitaneado por alunos da Escola Estadual Delfim Moreira (Grupo Central), contou com apoio de professores e pais e reivindicou melhores condições de ensino. Os estudantes usaram faixas, apitos, máscaras e cartazes para pedir melhorias, principalmente na infraestrutura da escola. "Não aguentamos mais essa situação. Os problemas no prédio do Central ocorrem há anos e, até hoje, não tiveram solução. 
Organizamos esse movimento para denunciar à população o que está acontecendo aqui", diz o aluno Arthur James, 15.

Assim como ele, dezenas de outros adolescentes vestiram a opção escura do uniforme e roupas pretas, cercando a instituição de ensino, localizada na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Braz Bernardino, no Centro, com uma grande faixa negra. Entre as frases de efeito utilizadas: "Delfim Moreira em luta(o)".

Ocorrências

Na última segunda-feira, a professora de ciências Daniela Renhe levou um tombo durante a aula por conta das falhas que existem no piso de madeira da escola. "Quando um professor cai na sala, espera que os alunos riam. Mas meu tombo foi tão feio, e eles estavam tão preocupados com a situação da escola, que ninguém fez qualquer piada. Por sorte, apenas torci o pé quando o assoalho afundou, e não houve nada grave." Dias antes, o estudante Cristian Oliveira, 15, ficou com uma perna agarrada, depois que um pedaço do piso cedeu abrindo um buraco que permite visualizar o andar inferior. "Estava passando normalmente e, de repente, caiu uma parte do chão, e meu pé entrou. Precisei de ajuda de alguns amigos para conseguir sair."

Diante dessas ocorrências, agravadas pelo fato de, pelo menos, quatro salas já estarem interditadas, de haver portas e janelas quebradas, paredes com infiltração, fiação exposta, teto deteriorado e goteiras em muitos recintos, a comunidade escolar cobra providências rápidas para que os cerca de dois mil alunos da Delfim Moreira saiam da situação de risco.

"Esta manifestação é pelo descaso do Governo estadual com a educação. Nesta escola houve demora na contratação de professores, como ocorreu em outras instituições, a estrutura é precária e, por causa do problema, está havendo realocação de turmas em espaços inadequados. Além disso, os representantes do sindicato foram impedidos de entrar na instituição hoje", denuncia o professor da rede e diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) Julio Sezar Lang Doria.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (SEE), a Superintendência Regional de Ensino tem ciência da gravidade da situação e, por isso, foi autorizada a alugar um prédio que comporte a transferência temporária das atividades da escola. As instituições estão em busca de um imóvel na região central, que ainda não foi encontrado. A pasta ressalta que um projeto de reforma e restauro do prédio - erguido na década de 1860 e tombado pelo Município - já está sendo elaborado.

Falta de carteiras

Já na Escola Estadual Duarte de Abreu, no Vitorino Braga, Zona Sudeste, estudantes registraram ocorrência na Polícia Militar para denunciar a falta de carteiras. Conforme alunos e familiares, não havia mobiliário suficiente para que todos se sentassem na manhã desta quarta-feira (13). "Chegamos na sala e não tinha carteira para todo mundo. Depois que reclamamos, mandaram a gente sentar no chão ou voltar para casa. 
Ficamos revoltados e resolvemos denunciar", diz uma aluna de 17 anos. Conforme os estudantes, a falta de carteiras já ocorreu outras vezes neste ano letivo.

A informação da Secretaria de Estado da Educação é de que uma equipe da SRE vai apurar junto à escola o problema para adotar as medidas necessárias. Já a direção do colégio informou que há falta de cerca de 20 carteiras, que devem ser disponibilizadas aos alunos ainda nesta semana.

Fonte: Tribuna de Minas Por Fernanda Sanglard

quarta-feira, 13 de março de 2013

Alunos denunciam falhas na estrutura de escolas na rede estadual

Além da falta de professor, goteiras, mobiliário quebrado e banheiros sem condições de uso fazem parte da rotina

 


A gravidade da falta de docentes na rede pública municipal e estadual, denunciada em matéria publicada pela Tribuna, na edição do último domingo, não é o único entrave que compromete o aprendizado dos estudantes. Além de alguns deles estarem há um mês sem ter aulas, outra reclamação recorrente diz respeito à falta de estrutura adequada no interior dos colégios. Goteiras, infiltrações, objetos e móveis quebrados não são raros no cotidiano das instituições de ensino.

Na Escola Estadual Delfim Moreira (Grupo Central), a queixa é referente às salas que estão interditadas e à falta de reforma no prédio, erguido na década de 1860 e tombado pelo Município. Segundo os alunos, há paredes mofadas, espaços com infiltrações e problemas no telhado, o que impediria o uso de algumas salas. A comunidade escolar ainda reclama de áreas comuns da escola e dos banheiros, que também estariam em condições precárias. Alguns estudantes, que pediram para não ser identificados, chegaram a enviar fotos à Tribuna, para mostrar os problemas.

"Estamos tendo aula em uma sala improvisada, que, na verdade, é o auditório. Prometeram reformar as salas que estão fechadas, mas, até hoje, não vimos nada. E não há a menor condição de ter aula no auditório, porque, além de terem improvisado um quadro pequeno, é muito quente, o ventilador não funciona direito, e, se o professor abre a porta para ventilar, vem muito barulho de fora", diz um estudante, 17 anos, que cursa o segundo ano do ensino médio. Outro aluno da mesma série, 15, queixa-se da situação: "Já ligamos para a Superintendência (Regional de Ensino-SRE), mas nada foi resolvido. Ficamos de férias por mais de dois meses, e já era para terem feito as obras."

Outra escola que integra a lista de reclamações é a Estadual Presidente Costa e Silva (Polivalente de Benfica). Lá é possível observar portas, janelas, carteiras, mesas e quadros quebrados, além de banheiros sem condição de uso - com torneiras e pias quebradas. Um aluno de 13 anos também reclama da necessidade de trocar de sala constantemente por conta das goteiras depois que o telhado começou a ser reformado. "Recentemente, a biblioteca ficou cheia de água após um dia de chuva", conta.

A diretora do Polivalente, Lucymar Santiago, explica que a escola passa por reforma geral, que solucionará todos os problemas apontados. A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (SEE) confirma a informação e acrescenta que a reforma está orçada em R$ 1 milhão e foi aprovada no fim do ano passado. A pasta ainda informa que os trabalhos não foram iniciados durante as férias por causa dos trâmites necessários e porque a ordem de início foi dada em fevereiro deste ano. Sobre a biblioteca, a assessoria diz que, realmente entrou água no espaço devido à reforma do telhado, mas esclarece que todos os livros foram protegidos, não havendo registros de danos.

As condições do prédio da Delfim Moreira são de conhecimento da Superintendência, que, no final do ano passado, solicitou à SEE a reforma do imóvel. Por se tratar de prédio tombado, esta intervenção demanda projeto especial de restauração, que não comprometa as características originais. Conforme a assessoria da SEE, o projeto está em fase de elaboração, mas não há previsão de quando será concluído. Para evitar mais prejuízos aos estudantes, a SRE avalia a possibilidade de locação de um imóvel no Centro, para onde eles poderão ser remanejados, até que as obras sejam finalizadas. Embora não haja confirmação de que essa estratégia será adotada, a instituição está em busca do novo local. Ainda conforme a pasta, após encontrar o prédio, podem ser necessárias adequações da estrutura antes que a transferência ocorra.

Mais protestos por melhorias

Além das manifestações realizadas na semana passada pela comunidade do Instituto Estadual de Educação (Escola Normal), outros colégios têm se mobilizado para organizar atos semelhantes em prol de melhorias. 
Na manhã desta segunda-feira (11), alunos da Escola Estadual Francisco Bernardino fizeram passeata para denunciar a falta de professores na instituição e demonstrar preocupação com a lotação das classes. Eles saíram do Manoel Honório, na Zona Leste, e foram até a Câmara Municipal, no Centro da cidade. Estudantes da Escola Estadual Delfim Moreira (Grupo Central) prometem fazer o mesmo durante esta semana.

No caso do Instituto Estadual de Educação (Escola Normal), a queixa é referente à falta de investimentos em melhorias e à tentativa de encher as turmas. Segundo eles, por ser um prédio antigo (inaugurado em 1930 e também tombado pela Prefeitura), algumas salas são pequenas e não suportariam a quantidade de alunos. A situação veio à tona há uma semana, quando docentes e discentes fizeram protestos contra a possibilidade de junção de classes. Professores dizem que, apesar de haver limite legal - que estipula o número máximo de 35 estudantes para o ensino fundamental e de 40 para o médio - lotar as salas com essa quantidade de pessoas sem analisar a infraestrutura da instituição pode ser um equívoco, como destaca o docente Júlio Cezar Lang Doria, que também é um dos diretores da subsede local do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE).

 Fonte: Tribuna de Minas

domingo, 10 de março de 2013

Tribuna de Minas denuncia falta de professores em Juiz de Fora

Falta de professor agrava situação de crise no ensino público de JF


Mais de um mês após início do período letivo, problema afeta várias instituições


Ainda que o ano letivo tenha começado há um mês, para muitos estudantes, as aulas não viraram realidade. Pela carência de professores nas redes estadual e municipal, parte dos alunos ainda está sem atividades. Das 15 escolas procuradas pela Tribuna na última semana, em 13 havia esse problema (ver quadro). Encaminhar os filhos ao colégio deveria ser motivo de tranquilidade para as famílias, mas virou preocupação, já que os pais não sabem a quem recorrer para garantir o direito constitucional de acesso à educação. Enquanto a orientação de algumas instituições é para que estudantes fiquem em casa nos dias em que não há disponibilidade de docentes, em outras, alunos dizem ficar sozinhos nas salas. O temor dos familiares e dos educadores é que o tempo perdido agora não seja compensado da forma ideal.

Conforme levantamento realizado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) para a Tribuna, turmas de 20 escolas estaduais estão sem professores de educação física e ensino religioso. Isso significa que 2.700 e 2.375 estudantes, respectivamente, são privados dessas disciplinas com profissional capacitado. Segundo a coordenadora da subsede do Sind-UTE, Victória Mello, em uma mesma escola, há alunos que têm aulas e outros não. Ela também denuncia que professores regentes dos anos iniciais seriam obrigados a ministrá-las em algumas instituições, mesmo sem formação na área. Victória diz que o sindicato também recebeu denúncias de turmas com superlotação em cidades vizinhas de responsabilidade da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora. Haveria casos de classes de ensino fundamental com mais de 35 estudantes (limite estipulado por lei) e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) com até 50.

Na última semana, a comunidade escolar do Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) realizou protestos contra a junção de turmas e para denunciar a ausência de docentes. Alunos e educadores temem que as classes fiquem superlotadas e que não haja substituição da quantidade de professores considerada ideal. "Tenho dois filhos no Instituto Estadual e, já no começo deste ano letivo, eles estão sem aula por vários dias, simplesmente porque está faltando professor. Alguns dias, eles foram à escola e ficaram sozinhos na sala", conta o pensionista Eliezer Fernandes, 39 anos.

Eliezer reclama que seu filho de 11 anos recebeu advertência porque teria feito bagunça enquanto não havia quem olhasse. "Criança faz bagunça mesmo, mas onde estão os responsáveis por eles no horário que deveriam estar estudando? Liguei para saber o que ocorreu, e quem me atendeu disse que lá estava como o Cerespinho (termo pejorativo usado em referência ao Centro Socioeducativo voltado a adolescentes que praticaram atos infracionais com menos de 18 anos). Como podem fazer uma comparação como essa?", questiona. Outro pai de aluno da mesma escola preferiu não se identificar, mas reclama da mesma situação. "Meu filho tem uma ou duas aulas por dia, pois, no restante dos horários, ou não tem professor ou o que tem não aparece. E já estamos no mês de março."

Para um educador da Escola Estadual Deputado Olavo Costa, no Monte Castelo, onde também houve escassez de docentes, a crise é decorrente da "falta de valorização do servidor e da política de enxugamento de verba. A educação padece, e a maioria das falhas é fruto da falta de investimentos". Conforme um docente de história da rede estadual, a situação é generalizada. "A informação que recebemos é que a SRE demorou para liberar as contratações. Várias turmas, de diversas instituições, acabaram sem aulas por muitos dias. O problema ocorre em toda a rede e não é da direção das escolas."

A Tribuna conversou com estudantes do sexto ao nono ano do ensino fundamental da Escola Estadual Delfim Moreira (Grupo Central), e todos confirmaram a falta de docentes. Segundo duas alunas do sexto ano, a turma estaria sem aulas de inglês e história. "Às vezes, mandam a gente para a quadra no horário, mas tem dias que ficamos na sala, sem professor, esperando a próxima aula", diz K., 13 anos. "Também estamos saindo mais cedo em alguns dias", complementa A., 13. No sétimo ano, a informação da aluna T., 14, é que "o professor de artes ainda não chegou". Uma aluna do oitavo ano diz que a grade de aulas não havia sido definida até a última semana. "Chegamos todos os dias sem saber o que vamos ter. Tenho que trazer um caderno para tudo, senão corre o risco de deixar em casa algum e ficar sem material, porque pode ser aula de qualquer coisa." Já um aluno do segundo ano do ensino médio questiona o fato de as instituições não estarem prontas no início do ano letivo. "No dia 4 (de fevereiro), começaram as aulas, mas não havia professores suficientes, e as provas de dependência, de 2012, estavam sendo feitas. Com isso, fomos ter disciplinas apenas no dia 18", denuncia R., 15.

O problema se estende à Estadual Presidente Costa e Silva (Polivalente de Benfica). Lá a situação chegou ao extremo com falta de professores para até cinco disciplinas de uma sala. L., 11, estuda no sexto ano e diz que não há aulas de geometria e formação humana. Já P., 15, mostra as páginas em branco dos cadernos de português, geografia, geometria, ensino religioso e artes. O quadro se estenderia a outras séries, como o sétimo e o oitavo anos. Contudo, a escola diz que os docentes já teriam sido designados na última semana.

Um cartaz afixado no portão da Escola Municipal Prefeito Dilermando Cruz Filho, no Bairro Vila Ideal, anuncia que a questão não fica restrita à rede estadual. Os pais são orientados a não encaminharem à instituição de ensino os alunos das turmas que não têm disponibilidade de professor. Segundo o diretor Marcus Vitoi, cinco classes da tarde e uma da manhã são afetadas, sendo que uma das salas é do quinto ano do ensino fundamental e está sem atividades durante quatro dias na semana. Faltam docentes de matemática, português, ciências e educação física, além de professor regente de ensino fundamental.

"Essa contratação está ocorrendo de maneira tardia. As aulas começaram no dia 4 de fevereiro, e, desde então, estou sem sete professores. Cinco não foram contratados, e dois estão afastados por atestado, mas ainda não foram substituídos. Uma das turmas do quinto ano está sem aula nenhuma. Esses alunos só vêm à escola uma vez por semana, porque não tenho professor para os outros dias. Alguns pais já estão pedindo a transferência dos filhos, muitos nos cobram uma solução, mas ela não depende só da escola. Precisamos de uma resposta da Secretaria de Educação. A informação que recebi foi que o sistema de contratação mudou e que nossas vagas sequer haviam sido oferecidas."

A atendente Elaine Rufino, 37 anos, tem um sobrinho de 9 matriculado na Dilermando Cruz e reclama da demora para a mudança deste cenário. "Ele tem ficado em casa praticamente todos os dias e não sabemos mais o que fazer. Muitos familiares estão desesperados, porque não têm com quem deixar as crianças, mas minha maior preocupação é com a perda de conteúdo, pois não sabemos como isso será recuperado." Vitoi explica que também teme a forma de reposição. "Temos um problema de logística, porque não há condições de repor essas aulas durante a semana, já que não tenho salas disponíveis."

No Linhares, a Escola Municipal Áurea Bicalho tem carência de docente de português, matemática e ciências para o sexto ano. Desde a volta às aulas, um professor de história está afastado, e as turmas estão descobertas. Há uma semana, um professor de artes entrou de licença e também não foi substituído. Uma professora eventual e uma bibliotecária têm ajudado cobrindo algumas aulas, mas, quando isso não é possível, os alunos ficam sem conteúdo. Uma turma infantil do segundo período também está sem educador.

A Escola Municipal Professor Augusto Gotardelo, no Caiçaras, chegou a ter as aulas suspensas por um dia. Segundo a diretora Janaína Vital Rezende, o motivo foi a defasagem dos dois coordenadores, professor regente do terceiro ano fundamental e de complementação de carga horária de história e geografia para os anos iniciais do ensino fundamental. Na semana passada, um coordenador teria sido contratado, mas a situação ainda é difícil na visão da diretora. "Muitas vezes, eu e a secretária vamos para a sala de aula para os alunos não ficarem sozinhos. Também juntamos temporariamente duas turmas para evitar mais prejuízos."

Editais de designação ainda em aberto comprovam a demanda por docentes na rede estadual, conforme consulta realizada na última sexta-feira no site da Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora. Apenas para o português, há vagas em 18 escolas. Existe ainda chamada para professor de matemática para 13 instituições da cidade, e também para educação física, artes, química, física, biologia, entre outras disciplinas. Apesar disso, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) garante ser natural devido à rotatividade na rede em casos de aposentadorias, licenças, entre outras situações imprevisíveis.

Mas, para a coordenadora da subsede do Sind-UTE, Victória Mello, a falta de professores e a tendência de encher as salas até o limite permitido é um problema recorrente no início do ano letivo da rede estadual. "Tentam fazer a população acreditar que isso é algo normal, quando não é", complementa a coordenadora de comunicação do sindicato, Yara Aquino. Segundo Victória, a situação se deveria, principalmente, ao excesso de burocracia para realizar as contratações temporárias e à demora nas nomeações de efetivos. "Isso ocorre anualmente, mas em escala menor. Desta vez, teve um agravante na rede estadual, já que o sistema da SEE ficou fora do ar, delongando ainda mais a publicação dos editais de contratação." Contudo, para Victória, a raiz do problema não é essa, mas sim o fato de Minas investir nas contratações temporárias mesmo havendo concurso recém-homologado. "Há expectativa de nomear os concursados, mas isso é um processo demorado."

Segundo a assessoria de comunicação da SEE, a designação é um processo flutuante e, por isso, não é possível prever qual é o déficit total nas escolas de Juiz de Fora. A pasta informa que realmente o sistema ficou fora do ar por alguns dias, mas a situação foi resolvida rapidamente. Em relação aos problemas apontados nas instituições citadas na reportagem, a secretaria diz que foram sanados na última sexta-feira. No entanto, um professor do Instituto Estadual de Educação informou que, até o fim da tarde de sexta-feira, havia turmas sem aulas.

A aposta da SEE para solucionar o problema consiste nas nomeações dos aprovados no concurso realizado em 2012, que começaram a ser feitas na última terça-feira. A expectativa é de que 11.700 docentes sejam nomeados até julho em todo o estado. Hoje Juiz de fora conta com 3.421 professores, sendo que mais 16 já foram nomeados. Até julho, 150 vagas ofertadas pelo concurso devem ser ocupadas na cidade. Desde 2007, Minas não realizava concurso público para professor.

A situação da escassez de professores na rede municipal denunciada por pais e alunos é confirmada pelo Sindicato dos Professores (Sinpro). "Estamos sendo procurados pelas escolas, sob a alegação de que, em alguns dias, estão sem condições de manter um dos turnos funcionando por causa dessa situação. Sabemos que a Secretaria de Educação fez contratações em dezembro e também em janeiro, mas, em todo início de ano letivo, são necessárias novas contratações, e, nesse caso, estão sendo morosas, porque a demanda está longe de ser suprida um mês depois de as aulas terem começado", afirma a coordenadora do Sinpro, Aparecida de Oliveira Pinto.

Aparecida diz não se recordar de outra ocasião em que o ano tenha começado com tanta falta de professor. "Na Escola Municipal Bela Aurora, onde trabalho, estamos sem três professores nas quatro turmas em que dou aula. Essa incerteza é muito ruim, dificulta a programação dos educadores, compromete o ensino e deixa os alunos perdidos."

Segundo a Secretaria de Educação, a contratação temporária de professores aconteceu normalmente e de forma planejada desde dezembro. Desde então, foram realizados 1.626 contratos, o que seria suficiente para suprir a demanda, mas, após os trâmites, houve 129 desistências. O secretário de Educação, Weverton Vilas Boas de Castro, garante que, até esta segunda-feira, mais 65 profissionais serão chamados e, até o fim da semana, os quadros estarão completos. Ele ainda pondera que, nesses casos, não é possível realizar concurso público, porque as vagas são de docentes afastados. A estimativa da pasta é que a cidade conte hoje com 4.400 professores nas cerca de cem escolas municipais. A secretaria informa que todas as aulas perdidas serão repostas, seguindo o calendário de cada colégio.

Fonte: Tribuna de Minas 10/03/2013

sábado, 9 de março de 2013

UMA NOVA VITÓRIA DO IEE/JF



Mais uma vez os educadores do IEE/JF deram uma grande demonstração de que a organização por local de trabalho e a unidade entre trabalhadores em educação, alunos, pais e sindicato é a fórmula correta para resistir aos ataques do governo. 

Há alguns dias atrás os professores foram informados pela inspetora de que a SRE havia determinado o fechamento de 06 turmas e a distribuição dos alunos entre as turmas restantes. Além da superlotação, o que comprometeria o aprendizado, essa ação causaria também toda uma alteração na situação dos professores como mudança de horários, redução da carga horária e até mesmo, para alguns, perda do contrato. 

ORGANIZAÇÃO, UNIDADE E LUTA 

Imediatamente, os educadores se organizaram, mobilizaram os alunos e seus pais e, ao mesmo tempo, procuraram o sindicato que apoiou e participou da luta para pressionar a SRE a voltar atrás. Foram realizadas duas manifestações na porta da escola no turno da manhã, os alunos e professores não entraram e a imprensa foi chamada. Da porta da escola caminharam até a SRE e exigiram da Superintendente a manutenção das turmas. 

O RECUO DA SRE 

Diante da pressão da comunidade escolar e da repercussão na imprensa, a SRE recuou e cinco turmas foram mantidas. A mobilização pela manutenção da 6ª turma continua, mas ficou evidente a VITÓRIA da mobilização. A SRE foi obrigada a recuar, a imprensa denunciou os problemas e professores, alunos, pais e sindicato estreitaram seus laços em torno da defesa de uma educação de qualidade. 

A direção da Subsede parabeniza os educadores, alunos e pais do IEE/JF e reafirma seu compromisso de estar ao lado da comunidade nas lutas pela educação pública.