sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sindicato presta esclarecimentos sobre a decisão da Justiça em proibir manifestações nos dias de jogos da Copa das Confederações

O governo Anastasia em mais um ato de total arbitrariedade solicitou ao TJ/MG proibição de manifestação do SindUte ou qualquer outra entidade durante a copa das confederações. Apenas essa solicitação já configura um enorme absurdo porém o desembargador reponsável pela ação, num ato ainda mais arbitrário que o do governador, julgou procedente a solicitação e definiu uma multa de 500.000,00, isso mesmo, quinhentos mil reais  caso aconteçam  as  manifestações.
Essa é a maior demonstração de que vivemos em Minas um estado de exceção. Aqui o executivo, aliado ao judiciário se arvora no direito de agir ao arrepio da lei como se ainda vivessemos nos tempos dos velhos coroneis. Não abriremos mão de nosso direito de manifestação. Dia 17, segunda feira estaremos em belo Horizonte denunciando o governo antidemocrático e corrupto de Anastasia. 
A Subsede de Juiz de Fora enviará 40 Trabalhadores em Educação a BH, será uma das maiores caravana do estado. Anastasia e seus capachos no judiciário e no legislativo não nos calarão!  
Vejam, abaixo, nota de esclarecimento da sede central

Nota de esclarecimento

Diante da decisão judicial de impedir a realização de manifestações nos dias da Copa das Confederações, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), apresenta alguns esclarecimentos pertinentes a esta questão.

Sobre a greve
O Sindicato fez a notificação da greve à Secretaria de Estado da Educação (SEE). Através do Ofício Circular SG10/2013, a Secretaria reconheceu a greve. Portanto, nos dias 17 e 18 de junho, serão dias de greve na rede estadual com todo o amparo que a legislação nos garante. A decisão do Desembargador diz respeito às manifestações, não a greve.
O calendário aprovado em assembleia da categoria está mantido.
O Sind-UTE/MG recorrerá da decisão do Desembargador que proibiu a realização de manifestações nos dias dos jogos da Copa das Confederações. Todas as subsedes devem organizar caravanas conforme orientações já encaminhadas.
No dia 17 de junho de 2013, a concentração será às 13 horas, na Igreja São Francisco de Assis, Pampulha, Belo Horizonte.

Para entender a realização da greve durante a Copa das Confederações, fizemos uma breve cronologia da luta dos profissionais da educação do estado de Minas Gerais pelo Piso Salarial. O governo, se quisesse, poderia ter evitado a greve. Era só negociar.

Julho de 2008 – É sancionada a Lei Federal 11.738 que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional. O Governo de Minas não apresentou proposta para sua implantação que seria, de acordo com a lei, gradativa.

Agosto de 2008 – Trabalhadores em educação realizam 1ª greve pelo pagamento do Piso Salarial. O movimento durou 30 dias. Governo se comprometeu a pagar o Piso Salarial, incorporando abonos e vantagens temporárias. Não cumpriu o Acordo.

De setembro de 2008 a Março de 2010 – O governo do Estado não fez nada para cumprir a Lei Federal e planejar o pagamento do Piso Salarial.

16 de março de 2010 – Assembleia dos Trabalhadores em Educação vota o início de greve por tempo determinado a partir de 08 de abril. Neste intervalo, mesmo sabendo da greve, o governo do Estado não apresentou nenhuma proposta.

08 de abril de 2010 – A categoria realiza greve por tempo indeterminado. O governo não negociou e pediu a declaração de ilegalidade da greve. Como o movimento continuou, ele abriu negociação a partir de 12 de maio.

25 de maio de 2010 – A greve é suspensa mediante a assinatura de Acordo, no qual o governo se comprometeu a pagar o Piso Salarial. Foram 47 dias de greve.
29 de junho de 2010 – Governo não cumpre o Acordo assinado. Assembleia Legislativa aprova o subsídio como forma de remuneração, mesmo diante da discordância do Sindicato.

06 de abril de 2011 – Supremo Tribunal Federal decide que Piso Salarial deve ser composto apenas como vencimento básico e não com toda a remuneração do professor (era como defendia o governo de Minas).  Através de requerimentos individuais, cada servidor optou se queria o subsídio ou não. Dos 200 mil profissionais que tinham o direito de optar, mais de 153 mil profissionais da educação disseram não ao subsídio. Mesmo diante desta decisão, o governo insiste em pagar o subsídio, desconsiderando direitos e vantagens de cada professor e não apresenta nenhuma proposta de pagamento do Piso salarial.

08 de junho de 2011 – diante da inércia do governo, a categoria inicia nova greve por tempo indeterminado. O governo não fez nenhuma proposta de pagamento do Piso salarial, respeitando a decisão do STF.

27 de setembro de 2011 – O Sindicato aceitou negociar o Piso Salarial proporcional e de acordo com os valores do Ministério da Educação. O governo apresenta proposta de negociar o pagamento do Piso Salarial como vencimento básico na carreira. Novo acordo é assinado e a greve é suspensa. Foram 112 dias de greve.

Novembro de 2011 – Governo do Estado rompe Acordo. Não paga o Piso Salarial, congela a carreira dos profissionais da educação até dezembro de 2015 e impõe o subsídio, que é constituído até de auxílio transporte.

22 de abril de 2013 – Apesar de inúmeros pedidos do Sindicato, o governo ficou mais de 7 meses sem reunir com a entidade. Na reunião realizada em abril, o Sindicato apresentou todas as demandas da categoria. Mas não obteve nenhuma resposta.

23 de abril de 2013 – Assembleia dos trabalhadores em educação aprova indicativo de greve para 05 de junho. Mesmo com o indicativo de greve, o governo não realiza nenhuma reunião com o Sindicato.

05 de junho de 2013 – Assembleia dos trabalhadores em educação aprova calendário de greve por tempo determinado nos dias de jogos da Copa das Confederações. Mesmo após a aprovação da greve, o governo não realiza nenhuma negociação.

13 de junho de 2013 – Sindicato é notificado da decisão do Desembargador Barros Levenhagen.

Considerações sobre a decisão do Des. Barros Levenhagen

O Desembargador Barros Levenhagen deferiu a liminar para determinar que o Sind-UTE/MG se abstenha de “embargar as vias de acesso ao Mineirão e de todo o seu entorno, bem assim às demais regiões e logradouros públicos situados no território estadual” e fixou multa diária de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) em caso de descumprimento da ordem, autorizando o bloqueio on line.

Essa decisão é totalmente arbitrária, pois:

1. Fere o direito de greve, assegurado pelo inciso VII do art. 37 da Constituição Federal;

2. Baseou a proibição no direito de reunião. O direito de greve não se confunde com o direito de reunião (inciso XVI do art. 5º da Constituição Federal). Ambos são direitos totalmente autônomos e independentes. O Sindicato está lutando por direitos funcionais. Lembramos que o governo já reconheceu a paralisação como falta-greve.

3. Viola o art. 28 da Lei Geral da Copa, Lei nº 12.663/2012, que ressalva:

Art. 28.  São condições para o acesso e a permanência de qualquer pessoa nos Locais Oficiais de Competição, entre outras:
§ 1o  É ressalvado o direito constitucional ao livre exercício de manifestação e à plena liberdade de expressão em defesa da dignidade da pessoa humana.

Esse artigo garantiu o direito ao livre exercício de manifestação, que é buscado pelo Sindicato.

4. Proíbe as atividades do Sindicato em todo o Estado de Minas Gerais, mostrando a abusividade do julgado.

5. Abrange qualquer entidade da sociedade civil que queira realizar protesto, independentemente da natureza, mesmo que não configure como parte na ação.

6. Viola o direito à ampla defesa e ao contraditório, previstos no inciso LV do art. 5º da Constituição, pois tomou essa decisão extremada, sem ouvir o Sindicato.

7. Determina o bloqueio imediato da quantia  on line através do BACENJUD, violando a garantia do Devido Processo Legal:  LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.

Apesar dos contínuos esforços desta entidade sindical para aprimorar as relações de trabalho com o governo de Estado e garantir, no mínimo, a valorização dos profissionais em educação e o cumprimento de seus direitos sociais e trabalhistas básicos, o governo do Estado insiste em desrespeitar os princípios constitucionais que asseguram as mais elementares condições de dignidade aos trabalhadores, o seu direito de organização e o exercício do debate democrático, bem como permanece agindo de forma atentatória à liberdade de Associação de seus servidores e cometendo Crimes Contra a Organização do Trabalho.


Belo Horizonte, 14 de junho de 2013.
Direção estadual do Sind-UTE/M

Educação divulga novo lote de nomeações de professores aprovados no último concurso



quinta-feira, 13 de junho de 2013

12 mil vão às ruas em São Paulo contra o aumento das passagens do transporte

 

 A polícia de Alckymin (PSDB) e Haddad (PT) reprimem violentamente; a mídia distorce vergonhosamente, mas os nossos jovens não desistem e as manifestações crescem a cada dia. Viva a luta da juventude! 

 

A juventude da cidade de São Paulo está protagonizando uma grande luta contra o abusivo aumento do metrô, ônibus e dos trens da CPTM, imposto há 1 semana pelo governo do Estado (PSDB) e pela prefeitura da cidade (PT). Soma-se ao abusivo aumento a péssima qualidade no transporte da cidade, cujo principal problema é a superlotação.
Nesse dia 11 tivemos mais uma demonstração de força com um ato que fez um trajeto por vias importantíssimas do centro da cidade, contando com a participação de mais de 12 mil pessoas.
Infelizmente, quando o movimento se aproximou do terminal de Ônibus Parque Dom Pedro, a polícia começou a reprimir violentamente a manifestação até então pacífica, tentando dividir o ato. Reafirmando a força de nossa manifestação, o ato se manteve forte e unificado até que a Tropa de Choque foi acionada e todo o ato foi disperso de forma extremamente violenta na Praça da Sé.
Posteriormente, uma parte bem menor do ato se dirigiu até a Av. Paulista, uma das avenidas mais importantes da cidade e, quando a manifestação já se preparava para acabar, mais uma violenta repressão da polícia atingiu os jovens presentes. Cerca de 20 estudantes foram levados presos e a polícia pede agora 20 mil reais de fiança para cada um deles.
A ANEL repudia toda e qualquer forma de agressão ao movimento e exigimos a libertação de todos os ativistas detidos!
Repudiamos também a postura truculenta de Alckmin e a postura conivente da prefeita atual, Nádia Campeão, do PCdoB.
 O prefeito Fernando Haddad do PT está viajando durante essa semana, defendendo a candidatura do Brasil para sediar um evento internacional de grande porte, aproveitando a visibilidade que o país está conseguindo com a Copa do Mundo da Fifa.
Apesar do número expressivo de participantes, representando o descontentamento e a indignação da maioria da população, a prefeita atual autorizou toda a repressão contra todos os manifestantes e não tomou nenhuma medida para revogar esse aumento.
Quinta-feira, 13, é dia de luta nacional contra o aumento da passagens!
A juventude brasileira está parando o país nas últimas semanas. A ANEL está ao lado de todas essas lutas e estamos impulsionando com força total o dia de luta nacional contra o aumento das passagens e o lançamento da campanha " Contra o aumento das passagens! Passe livre já, Brasil! na quinta-feira dia 13/06!
Quinta-feira iremos organizar atos em diversas capitais do país.
E veeemm! Vem pra rua, vem! Contra o aumento, você também!
Amanhã vai ser maior!
Fonte: site da ANEL - Assembleia Naciuonal do estudantes - Livre

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um passo a frente



Os telejornais insistem em mostrar cenas sobre as manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo como atos de vandalismo dos jovens manifestantes. Mas esconde que as manifestações iniciam-se pacíficas e que o que as tornam violentas é a violenta repressão policial que, a mando de Haddad e Alckymin,  investem contra os jovens com extrema brutalidade, na tentativa de calar os que se negam a ser explorados silenciosamente.
Fernando Haddad e Geraldo Alckymin sujam as mãos agredindo esses jovens para defender os interesses do lucro dos donos das empresas privadas de transporte que têm concessão pública. Provavelmente essas empresas são grandes "contribuintes" das campnahas salariais de muitos políticos paulistas.
Vejam um interantíssimo texto publicado no blog da Yahoo sobre o Movimento Passe  Livre que foi reponsável pela diminuição da tarifa em Porto Alegre e organiza esses atos em todo o país.


Por Dafne Sampaio | Mexidão – sáb, 8 de jun de 2013

Não é de hoje, e não é exclusividade de São Paulo, que os carros são os mais privilegiados pelo poder público (ah, tem as empreiteiras também, mas essa é outra história). O governo federal baixa IPI para aquecer o mercado de automóveis, o estadual manda a PM proteger o trânsito deles e desce a bordoada em qualquer um que se opuser, e o municipal aumenta a tarifa do transporte público que deveria ser uma das soluções para tantos carros na rua.
Criado oficialmente em Porto Alegre no ano de 2005, o Movimento Passe Livre (MPL) se define como “movimento social autônomo, apartidário, horizontal e independente, que luta por um transporte público de verdade, gratuito para o conjunto da população e fora da iniciativa privada”. Suas manifestações já conseguiram redução de preços dos ônibus em Florianópolis e Salvador e sua atuação nacional já se espalhou pelas maiores capitais do país.
Nos últimos anos, São Paulo foi palco de vários atos do MPL e recentemente, quando a passagem de ônibus passou de R$ 3 para R$ 3,20, a cidade foi tomada por novas manifestações. Na quinta, 6 de junho, as avenidas 23 de Maio, 9 de Julho e Paulista foram fechadas, houve confronto com a polícia, depredações e o escambau (ver cobertura no site da Vice). Já havia outra manifestação marcada para o dia 11 de junho na Praça do Ciclista, mas o caos da quinta pediu outra em caráter de urgência que aconteceu ontem no Largo da Batata.
Nos dois casos, a cobertura da grande imprensa (principalmente a televisiva, sempre mais conservadora) bateu nas teclas do “transtorno” e do “vandalismo”, mal ouvindo as reinvindicações sérias e muito válidas do MPL. Transtorno? Mas a cidade vive parada por causa dos carros e ontem, por exemplo, o congestionamento foi “normal” para uma sexta-feira na hora do rush (e olha que a Marginal Pinheiros foi lindamente parada durante cerca de 40 minutos pelo ato que reuniu 5 mil pessoas). Enfim, não é possível fazer qualquer tipo de manifestação numa cidade grande como São Paulo sem causar algum tipo de transtorno.
Vandalismo? Em qualquer lugar do mundo existem idiotas e não é um ou dois malucos que deslegitimam todo um movimento. Vi integrantes do MPL entregando panfletos para os carros parados pela marcha, também os vi conversando com policiais para explicar o ato. Houve até uma nota de esclarecimento do MPL sobre os incidentes da quinta. Fico me perguntando... Porque as TVs e jornais não falam da violência policial que gerou o tal “vandalismo”? Ontem o Major PM Klinger, responsável pela operação, disse que se a marcha voltasse para a Av. Faria Lima todo mundo iria tomar tiro. Nada de conversa, de diálogo, nada próximo. Ouvi isso da boca dele após a PM atirar gás e “bombas de efeito imoral”. E não tinha grande imprensa ali.
Ah, e porque os entrevistados de sempre são os motoristas de carros e não os usuários de transporte público, já que o assunto é esse? Talvez essa distância dos meios de comunicação dos anseios da população e sua constante subserviência ao poder seja uma das razões de sua atual irrelevância.
Se é possível ou não ter uma tarifa zero para toda a população é uma discussão que tem ser colocada e o MPL está fazendo seu papel. Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, disse ao Estadão que isso custaria R$ 6 bilhões e que isso seria muito difícil de ser custeado, mas que pretende conversar com a presidenta Dilma para aumentar o subsídio e diminuir o valor da passagem.
Porém, o mais importante de tudo isso é que são as manifestações da sociedade civil que colocam fogo nas mudanças. Se você reclama da educação no país, mas xinga quando os professores fazem greve por melhores qualidades de trabalho, você é um idiota. Se você reclama do transporte público, mas fica de mimimi com o trânsito criado pela manifestação, você é igualmente um idiota.
Não sei se o MPL vai conseguir a “tarifa zero”, mas lutas justas assim são importantes para todos pensarem a cidade que queremos.
p.s.: Altamente recomendáveis os textos de Leonardo Sakamoto (“Protestar não restringe o direito de ir e vir. Aumentar a tarifa de ônibus, sim”) e Lino Bocchini (“Protestar no Facebook não adianta. Tem que fechar avenida”).

terça-feira, 11 de junho de 2013