sexta-feira, 6 de abril de 2012

Forte greve geral paralisa o Estado Espanhol

• Manifestações de centenas de milhares apoiaram a greve geral de ontem contra a reforma trabalhista e os cortes do governo, evidenciando o descontentamento social com as medidas de austeridade do governo de Mariano Rajoy, do PP (direita), que tomou posse há pouco mais de 100 dias. De acordo com as centrais sindicais que convocaram a greve, CCOO (Comisiones Obreras) e UGT, aderiram à greve 77% dos trabalhadores. Em mais de uma centena de cidades a população foi às ruas para protestar: 900 mil só em Madrid, num total de 10,4 milhões, segundo as centrais sindicais, em todo o país. Em Barcelona, onde ocorreu outra gigantesca manifestação, houve confrontos entre manifestantes e a polícia, com dezenas de detidos. Na Galiza e Andaluzia as manifestações também foram de centenas de milhares.
Nos setores do transporte, indústria, construção, agricultura e pecuária a adesão teria superado, segundo as centrais sindicais, os 95%; nos setores dos serviços, a adesão teria sido de 70%. O setor com maior adesão à greve foi a indústria e a construção, com um apoio de 97%. O menor apoio à greve foi registado no setor público, com 57%.
Os secretários-gerais das CCOO e da UGT, Ignacio Fernández Toxo e Cándido Méndez, não deixaram de demonstrar que preferiam a negociação à luta e mobilização dos trabalhadores. “Não podem arruinar de uma só penada 30 anos de diálogo social”, lamentaram, referindo-se à indisponibilidade demonstrada pelo governo até aqui para negociar. Perante o fechamento do governo e a radicalização dos trabalhadores, ambos não tiveram outra alternativa senão chamar a greve, a oitava em democracia, e ameaçar com um “conflito ascendente e prolongado” até que o governo concorde em modificar substancialmente a reforma trabalhista. As duas centrais deram um prazo ao governo até o dia 1 de maio, quando não descartam, caso o governo não aceite negociar, a convocação de uma nova greve geral.

Reação do governo

O governo tentou, como é habitual, desvalorizar o impacto da greve, a dizer que “foi muito moderada” e mantém para hoje, dia seguinte à greve, a votação do orçamento para 2012 no Parlamento, considerado o mais brutal da democracia.
O Orçamento adequa-se à meta de défice acertado com a União Europeia de 5,3% do PIB, um corte de mais de 3 pontos percentuais em relação ao déficit do ano passado de 8,51%. Esse objetivo de déficit pressupõe um corte de 35 bilhões de euros num só ano, o que significará um corte médio superior a 14% em cada ministério. A oposição é unânime em considerar que este orçamento coloca em perigo o Estado de bem-estar e a viabilidade dos serviços públicos.
Este orçamento vem a seguir à subida do IRPF (imposto das pessoas físicas) e do IVA e à redução de gastos do Estado no valor de 8 bilhões aprovados a 30 de dezembro último. Seguiu-se a duríssima reforma trabalhista, que prevê, entre outras medidas, a facilitação das demissões e a redução da indemnização ao trabalhador, e o congelamento do salário mínimo e dos salários no serviço público.
Apesar de o governo desvalorizar, a greve de ontem representou uma dura prova para a governação Rajoy. Já antes, nas eleições autônomas da Andaluzia, realizadas este mês, o governo demonstrou que já está a ser contestado. Na Andaluzia, apesar do desgaste do PSOE, que perdeu 700 mil votos em comparação com as últimas eleições, o PP não poderá governar a região e ainda perdeu 170 mil votos. No total, os partidos do “centrão” em Espanha, os máximos responsáveis pelas políticas desastrosas no período democrático, perderam cerca de 870 mil votos. Em sentido contrário, subiram a Izquierda Unida, que obteve mais 120 mil votos, os votos nulos ou brancos e a abstenção, que aumentou para 38%.
Fonte: www.mas.org.pt e www.litci.org

Grécia: Suicídio de aposentadoa origina novos protestos

Milhares de pessoas reuniram-se na praça Syntagma, local onde um aposentado pôs fim à sua vida pa

• Mais um dramático episódio comove a Grécia. O aposentado Dimitris Christoulas, de 77 anos, suicidou-se, com um tiro na cabeça nesta quarta-feira, 4, na Praça Syntagma, próximo à entrada do parlamento grego. O motivo, descrito em um bilhete deixado pelo aposentado, foi a situação de penúria vivida por ele depois da crise econômica.
Comparando o atual governo grego com a administração que colaborou com os nazistas na Segunda Guerra Mundial (governo de Georgios Tsolakoglou), o bilhete deixado por Christoulas dizia:
“O governo de Tsolakoglou acabou com a possibilidade de eu poder sobreviver com uma pensão digna, que paguei sozinho durante 35 anos sem nenhuma ajuda do Estado. E, sendo que a minha idade avançada não me permite reagir de forma dinâmica (embora se um colega grego pegasse uma Kalashnikov, eu estaria bem atrás dele), não vejo outra solução senão pôr, de forma digna, fim à minha vida, para que eu não me veja obrigado a revirar o lixo para assegurar o meu sustento. Eu acredito que os jovens sem futuro um dia vão pegar em armas e pendurar os traidores deste país na praça Syntagma, assim como os italianos fizeram com Mussolini em 1945”.
Logo após ao suicídio uma onda de protestos começou a tomar conta do país. A primeira ação foi convocada através das redes sociais. “Isto não é um suicídio. Isto é um crime” foi um dos slogans. Milhares de pessoas deixaram mensagens na árvore localizada junto ao local onde ocorreu o suicídio. “Nós não enterramos os nossos mortos. Nós colocamo-los na linha da frente”, dizia uma delas, citando Ésquilo,dramaturgo da Grécia Antiga. Manifestantes tentaram se aproximar do Parlamento, mas a polícia agiu com muita violência e repressão. No entanto, apesar de tentar desmobilizar por completo a concentração, os manifestantes não abandonaram a praça Syntagma. Os protestos entraram madrugada a dentro. Muitos ativistas foram presos pela polícia.
Na ciadade de Tessalônica, a segunda mais importante cdo país, milhares de pessoas também realizaram um protesto. Ao longo desta quinta-feira, 5, mais protestos foram realizados. Organizações do movimento estudantil e o movimento dos "indignados" prometem novas manifestações.
O presidente do sindicato dos farmacêuticos (antiga profissão do aposentado) declarou: “Há um instigador moral nesta morte, o governo levou as pessoas ao desespero”.
Desde o início de 2010, os aposentados viram as suas pensões cortadas em média 15% superior aos 1.200 euros sofreram uma redução de 20%. A Grécia foi submetida a inúmeros pacotes econômicos e cortes orçamentários exigidos pela "troica" (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) que estão sufocando o povo grego. Um dos trágicos resultados foi o aumento de suicídios no país. Segundo o Ministério da Saúde grego, houve um aumento de 40% desses casos.
O ato desesperado do aposentado lembrou o suicídio de Mohamed Bouazizi, vendedor ambulante tunisiano que tirou sua própria vida após ser impossibilitado de continuar pagando propinas aos fiscais do país. Sua morte detonou a “Revolução de Jasmim”, que derrubou a ditadura da Tunísia e se espalhou para os países vizinhos, como o Egito. Será que a Grécia vai assistir a uma nova onda de revolta?
Fonte: site do PSTU

Dilma anuncia ampliação do corte de impostos aos patrões

Essa notícia abaixo demonstra-nos porque e como acontece o tão comentado "déficit da previdêncvia ". O próprio governo federal, para atender aos interesses dos empresários "parceiros" do governo,  promovem o tal déficit e depois joga tudo nas costas dos trabalhadores  através de sucessivas reformas da previdência como a que aconteceu recentemente no setor dos servidores federais.


Pacote de bondades aos empresários soma total de R$ 60 bilhões

A presidente Dilma Rousseff, acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou, na quarta-feira, dia 3, mais um pacote de isenções e incentivos à indústria. O custo total das medidas, apenas em 2012, será de R$ 60,4 bilhões.
A quantia vem tanto de reduções de impostos quanto da ampliação de linhas de crédito e repasses do Tesouro Nacional a bancos oficiais. Deste valor, R$ 45 bilhões serão destinados ao BNDES para a realização empréstimos a juros baixos às empresas.
Com as medidas anunciadas, foi eliminada a contribuição patronal de 20% para o INSS de 15 setores, com perspectiva de extinção em todas as áreas. Apenas com isso, o impacto anual será de R$ 7,2 bilhões, além de representar uma ameaça à Previdência Social.
Os trabalhadores serão atingidos em seus direitos, pois a contribuição patronal para o INSS constitui parte do financiamento da Seguridade Social, que suporta a aposentadoria. Ao mesmo tempo, os rentistas estrangeiros continuarão a dispor de privilégios como altos juros, livre fluxo de capitais e isenção de imposto de renda para ganhar bilhões com a dívida interna (se hoje distorcem a realidade, dizendo ser deficitária, como ficará retirando ainda mais dinheiro do seu caixa?).
No lugar da contribuição extinta, haverá um desconto de 1% a 2% sobre o faturamento das empresas, que deve arrecadar cerca de R$ 2,3 bilhões. A diferença será bancada pelo governo, ou seja, dinheiro público fruto do cortar verbas de áreas como saúde e educação para garantir mais esse benefício aos patrões.

Choradeira

A desculpa utilizada pelo governo é que as medidas vão defender a indústria e o emprego, mas a realidade é que só as empresas vão ganhar.
De proteção ao emprego e direitos dos trabalhadores não há nada garantido. É dinheiro que as empresas estão usando pra demitir.
Ainda assim , apesar do presentão, os empresários continuam com a choradeira. Querem mais.
Um ato foi realizado na última quarta-feira, em São Paulo, que classificou as medidas como “insuficientes”. O ato teve a presença de empresários, da Fiesp e, inclusive, das centrais sindicais pelegas (CUT, CTB, Força Sindical e outras), que tem se colocado em defesa dos patrões.
“Para o país crescer de verdade é preciso investir nos trabalhadores”, afirma o diretor do Sindicato José Dantas Sobrinho. “Se quer defender o emprego, o governo deveria anunciar medidas como a estabilidade no emprego, aumento nos salários e redução da jornada sem redução de salários, mas prefere seguir aumentando o lucro dos patrões”, afirmou.
Fonte: SindmetalSJC

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Professores de Natal entram em greve

• Desde o último dia 30, os professores e professoras da rede pública de ensino de Natal estão em greve. A categoria pede uma correção salarial de 22,22% para todos os educadores de nível médio e de nível superior, e que este percentual, o mesmo do Piso Salarial Nacional, seja aplicado por dentro do Plano de Cargos, respeitando o tempo de carreira dos docentes. Os professores reivindicam também melhores condições de trabalho, a exemplo da conclusão das reformas nas escolas, compra de material didático, regularidade no fornecimento da merenda escolar e redução do número de alunos por sala de aula. A Prefeitura de Natal, comandada por Micarla de Sousa (PV), tem tratado os educadores e suas reivindicações com indiferença e intransigência. Além de oferecer apenas 10% de reajuste salarial para os professores, dividido em três parcelas, proposta que foi rejeitada pela categoria e motivou a greve, a Prefeitura já anunciou que irá à justiça pedir a ilegalidade da paralisação. “Agora cessou o diálogo. Se sem greve não conseguimos fechar o acordo, imagine com greve.”, chegou a dizer o Secretário de Educação, Walter Fonseca, em entrevista a um dos jornais do Rio Grande do Norte. O município tem 74 escolas e 71 Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), e o sentimento dos trabalhadores é permanecer com as atividades paralisadas nesses locais até que as reivindicações sejam atendidas.
A Prefeitura de Natal, por meio do Secretário Walter Fonseca, alega que paga salários acima do piso de R$ 1.451 e que, se o município fosse seguir a lei, os professores com 20 horas semanais receberiam apenas R$ 700. Entretanto, para a professora Amanda Gurgel, a Prefeitura está inventando uma interpretação da Lei do Piso Salarial Nacional dos professores. “A lei fala do pagamento do piso para professores com até 40 horas semanais. Isso significa que o novo valor do piso, de R$ 1.451, deve ser o mínimo para todos os professores, independente de sua carga horária. Essa proporcionalidade para as horas trabalhadas não existe. É invenção”, rebate Amanda.

Direção do sindicato não quer a greve

A direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte/RN), ligada à CUT e ao PT, tem assumido uma postura de retrair a greve. O próprio início da paralisação, por exemplo, só foi possível porque os professores decidiram passar por cima da opinião da direção do sindicato, aprovando o movimento em assembleia. A atitude governista do sindicato é tão grande que chegou ao cúmulo de levar a própria assessoria jurídica do sindicato a uma das assembleias para tentar dissuadir a categoria da greve. “Levaram os advogados para dizer que a Prefeitura estava cumprindo a lei e que não haveria razão para fazer greve. Um absurdo. A categoria precisa estar atenta e te muito cuidado, pois, infelizmente, estamos enfrentando dois inimigos. Um está no governo e o outro na direção do nosso sindicato”, alerta a professora Amanda Gurgel.


João Paulo da Silva
de Natal (RN), também escreve o blog ascronicasdojoao.blogspot.com

Professores de Santa Rita, na Paraíba, ocupam prefeitura

Os professores da rede municipal de Santa Rita, região da grande João Pessoa (PB), estão em greve desde o dia 20 de março na luta pelo cumprimento da lei do Piso Nacional, e pelo reajuste de 22% retroativo a Janeiro. Hoje, 4 de abril seria o dia do pagamento dos salários dos servidores e toda a categoria foi surpreendida com descontos dos salários, esse desconto foi feito de forma abusiva, ilegal e imoral.
A categoria demonstrou todo o seu descontentamento, ocupou por toda a manhã desta quarta-feira (4) a sede da prefeitura, realizou uma assembléia na mesma, e decidiu continuar a greve. Os educadores só retornarão as aulas quando for fechado o acordo e quando a prefeitura devolver os salários surrupiados.
A assembléia aprovou que o jurídico do sindicato deve entrar ainda hoje com um mandato de segurança para garantir o pagamento do restante do salário. A direção do sindicato teve uma reunião no período da tarde com um representante da prefeitura e o ministério público. O promotor deu um prazo de até segunda-feira para a prefeitura se explicar sobre os descontos indevidos. Na próxima segunda, pela manhã, também acontecerá uma nova assembléia para avaliarmos a greve e tirarmos novos encaminhamentos.
Depois da decisão a categoria saiu em passeata pela principal rua da cidade até a sede do sindicato gritando: “Prefeito, assim você nos mata! Ai se eu te pego, ai se eu te pego…”
Ataques - A greve não foi julgada ilegal, além do mais a administração descontou valores diferenciados chegando ao cúmulo de professores terem seus saldos bancários negativados, o desconto atendeu a todos os gostos e sabores, descontou dos aposentados, dos que estão de licença médica, dos que furaram a greve, dos diretores que são cargos de confiança e etc.
Proposta rebaixada – A prefeitura foi pressionada pelo ministério público e apresentou uma ridícula proposta de 10% de reajuste dividido em duas vezes (5% Novembro + 5% dezembro), que foi rapidamente rechaçada pela categoria, que encontra-se em um alto grau de mobilização com mais de 85% das escolas fechadas e com assembleias ocorrendo quase que diariamente e lotadas.


Com informações de Lissandro Saraiva (Tanque)- Professor de Santa Rita